Por que peitoral, e não coleira, em cão pequeno
A traqueia de um cão de poucos quilos é estreita e flexível. A coleira concentra a tração exatamente ali, e o efeito aparece anos depois.
Raças pequenas têm a traqueia estreita, e em várias delas os anéis de cartilagem que a mantêm aberta são mais flexíveis do que deveriam. Quando esse tubo cede, o cão tosse — a tosse seca e alta que muita gente descreve como "parece um ganso".
O que a coleira faz
A coleira transfere toda a tração da guia para uma faixa de dois ou três centímetros em volta do pescoço. Em um cão de trinta quilos isso se dilui numa musculatura grossa. Em um cão de dois quilos, não: a pressão cai em cima da traqueia.
O problema raramente aparece no dia. Aparece no cão de seis, sete anos que começou a tossir ao se animar com a campainha.
Isso não quer dizer que a coleira causa o colapso sozinha. A predisposição é da raça e da genética. Quer dizer que a coleira é o fator que está na sua mão.
O que usar
- Peitoral que distribui a tração no peito e nas costelas, não no pescoço.
- Ajuste em que cabem dois dedos entre a fita e o corpo — folgado demais escapa, apertado demais machuca a axila.
- Guia presa nas costas, para passeio comum. Peitoral de engate frontal serve para trabalhar puxada, e é conversa de adestrador (§7.5).
- A coleira continua útil para pendurar a plaquinha de identificação. Só não é onde a guia se prende.
Sinais para levar ao veterinário
- Tosse seca que aparece na animação, no puxão da guia ou ao beber água
- Cansaço rápido em passeio curto
- Barulho de chiado ao respirar
Nenhum desses sinais se resolve com o que existe em casa. Todos merecem consulta.