Fogos: o que fazer antes do dia, não na hora

O maior risco dos fogos não é o susto, é a fuga. O que dá para preparar com antecedência, e o que fazer quando a queima começa.

3 min de leituraRevisado em 17 de setembro de 2026Equipe Miudim

Neste texto
  1. Três dias antes
  2. No dia
  3. O que não fazer, nunca
  4. Fogos sem estampido é lei em muitos lugares
  5. Quando é caso de veterinário na hora

O cão ouve muito mais que você, e mais alto. Um estouro que te faz virar a cabeça chega nele como uma explosão em cima. Só que o problema maior não é o susto em si.

O maior risco dos fogos é a fuga. Cão em pânico não procura a porta certa: ele cava, pula, arranha, atravessa tela de janela e some por um portão que ficou dez segundos aberto. Cão pequeno passa por vão que você jura que é estreito. Réveillon e São João são as noites em que mais cão se perde no ano, e quase nada disso se resolve na hora. Se resolve antes.

Três dias antes

  • Identificação no cão, não na coleira guardada na gaveta: plaquinha com telefone, e microchip se ele tiver. Confira se o número do chip está registrado no seu nome atual.
  • Uma foto de agora, de corpo inteiro e de perto. Se ele sair, é o que você vai mandar no grupo do bairro.
  • Ande pela casa procurando saída: tela solta, janela de banheiro, grade com vão, portão que fecha mal, muro baixo com apoio do lado. Conserte o que der, tranque o resto.
  • Combine com quem mora com você quem fica com o cão na hora da virada. Cão sozinho em casa vazia enquanto a rua estoura é a pior combinação.
  • Se o medo dele já é grande, fale com seu veterinário com antecedência, semanas antes, não no dia 31. Existe tratamento para aversão a ruído, e ele se planeja. Não improvise nada por conta.

No dia

  • Passeio cedo, de manhã ou no fim da tarde. Depois do começo da noite, não saia mais.
  • Casa fechada: janela, cortina, persiana. Fechar corta parte do barulho e corta o clarão, que também assusta.
  • Som de fundo ligado antes de começar, num volume normal de conversa. Televisão, música, ventilador. O que você quer é abafar o pico, não fazer barulho novo.
  • Deixe um canto seguro pronto e deixe ele escolher: caminha atrás do sofá, caixa de transporte com a porta aberta, box do banheiro com uma coberta. Lugar fechado por três lados acalma mais que espaço aberto.
  • Nunca prenda o cão num quarto ou na coleira curta para ele não fugir. Cão em pânico preso se machuca tentando sair.
  • Fique perto se ele procurar você. Acolher medo não ensina medo. Se ele quiser colo, dê colo; se quiser ficar embaixo da cama sozinho, deixe.
  • Não brigue e não force. Tremer não é desobediência. Tirar ele do esconderijo para "mostrar que não é nada" piora.

O que não fazer, nunca

  • Levar o cão para assistir a queima, nem no colo, nem na bolsa.
  • Deixar ele no quintal, na varanda ou na área de serviço durante a queima.
  • Soltar da guia na rua em noite de fogos, mesmo em cão que sempre volta.
  • Dar comida ou bebida da festa para acalmar.

Fogos sem estampido é lei em muitos lugares

Em São Paulo, a lei municipal 16.897/2018 proíbe fogos de estampido na cidade, e o Supremo Tribunal Federal confirmou que ela vale. No estado, a lei 17.389/2021 trata da soltura e do comércio desses fogos. Muitas outras cidades têm regra parecida. Fogos de vista, os que fazem efeito sem estouro, continuam permitidos.

Vale saber, e vale dizer no condomínio antes de dezembro: quem organiza a festa quase sempre não sabe.

Quando é caso de veterinário na hora

Procure atendimento se o cão se machucou tentando escapar, se não para de tremer horas depois de o barulho acabar, se está com dificuldade de respirar, se engoliu algo na confusão, ou se não consegue ficar de pé. Deixe o telefone do plantão salvo no celular antes do dia 31.

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